segunda-feira, 25 de maio de 2009

Blog re-re-re-nascido

Dedico o re-re-re-nascimento deste blog a quem teve a "pachorra" de no dia 24 de Maio de 2009, fazer umas 40 e tal "page views" do mesmo. Pode ser que tenha sido um "bot", mas fica aqui na mesma este brinde: à tua saúde, personagem desconhecida (?).

Se há coisa que eu deteste nos blogs, são grandes transcrições. Não resisto no entanto a fazer agora uma, de um livro que comecei a ler: Christophe André, Imperfeitos, Livres e Felizes - práticas de auto-estima.

"A auto-estima é mostrar-me capaz de :

  1. Dizer o que penso;
  2. Fazer o que quero;
  3. Insistir quando se me depara uma dificuldade;
  4. Não ter vergonha de renunciar;
  5. Não me deixar enganar pelas modas nem pela publicidade, que querem convencer-me de que só posso ser alguém se usar esta ou aquela marca ou se pensar desta ou daquela maneira;
  6. Rir despreocupadamente se troçarem um pouco de mim;
  7. Saber que sou capaz de sobreviver aos meus fracassos;
  8. Atrever-me a dizer "não" ou "acabou-se";
  9. Atrever-me a dizer "não sei";
  10. Seguir o meu caminho, mesmo sozinho;
  11. Dar a mim mesmo o direito de ser feliz;
  12. Sentir-me digno de ser amado;
  13. Suportar não ser amado, mesmo que isso me deixe momentaneamente infeliz;
  14. Sentir-me tranquilo comigo mesmo;
  15. Dizer "tenho medo" ou "sinto-me infeliz" sem me sentir rebaixado;
  16. Amar os outros sem os sufocar e sem os vigiar ou perseguir com desconfianças;
  17. Esforçar-me por conseguir o que desejo, mas sem me pressionar exageradamente;
  18. Conceder a mim mesmo o direito de desapontar ou de falhar;
  19. Pedir ajuda sem me sentir inferiorizado;
  20. Não me rebaixar nem fazer mal a ninguém quando me sinto descontente comigo mesmo;
  21. Não ter inveja do sucesso nem da felicidade dos outros;
  22. Saber que posso sobreviver aos meus infortúnios;
  23. Dar a mim mesmo o direito de mudar de opinião depois de reflectir;
  24. Ser capaz de rir de mim mesmo;
  25. Dizer o que tenho a dizer, mesmo que me custe;
  26. Aprender comos meus erros;
  27. Mostrar-me em fato de banho, embora o meu corpo não seja perfeito;
  28. Sentir-me em paz com as feridas do meu passado;
  29. Não ter medo do futuro;
  30. Achar que sou uma pessoa de bem, com as minhas qualidades e os meus defeitos;
  31. Sentir que faço progressos e que aprendo com a minha vida;
  32. Aceitar-me como sou no dia de hoje, sem por isso renunciar a mudar no dia de amanhã;
  33. E, por fim, conseguir pensar noutras coisas para além de mim mesmo."

Tem piada, desconhecia este autor, o qual deve ser sobejamente conhecido e tinha começado há dias a ler um livro dele mais recente (na versão original em francês) sobre os "Estados da alma": aquilo que fica a ressoar em nós após os acontecimentos.

Para quem for alérgico aos livros de auto-ajuda (tão na moda, agora), acabou de sair um livro de ficção chamado Felicidade. Não tenho nada contra quem é contra :-)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Hora e meia antes

Podia ser na linha da Póvoa, no comboio, ou na camioneta para a pequena cidade. O avô estava sempre nas estações ou paragens hora e meia antes. E esperava, esperava... e nunca perdia o transporte. O neto ia com ele. E esperava, esperava.... e também nunca perdia o transporte. Aprendeu com o avô.

Uns anos mais tarde, quando o avô já não é avô e o neto podia ser avô, o mundo mudou. Já não há tempo para estar à espera hora e meia antes, mas a ansiedade instalou-se no interior de si. O medo de perder o comboio ou a camioneta tomou o lugar da espera calma. Os telemóveis tocam, há mil e uma coisas para fazer e a cabeça começa a rodar em espiral até que o rabo esteja bem dentro da cápsula de transporte. Ufa! Paz! Segurança!

Bom, a ansiedade não justifica partir no carro e deixar o bebé no tejadilho. E o pai que agora chora o bebé, gostava e gosta muito dele. Aprender a controlar a ansiedade pode durar a escola da vida e o bebé infelizmente não pôde esperar o tempo suficiente. Paciência. O pai vai ter de aprender a chorar esse erro fatal, esse revelador "claríssimo" de que foi um mau pai, de que não amava suficientemente o filho, de tal forma que se esqueceu dele no cimo da viatura, ou que o deixou ficar sozinho em casa, como no bem-conhecido filme. Haverá eventualmente outros filhos para esquecer...ou não. Ou não haverá mais esquecimentos, ou ansiedades...ou não.

No coração do pai instalou-se uma surda revolta, contra si e contra o mundo, um sentimento de injustiça porque amava de facto o filho e ainda hoje, não podendo mais falar com ele, assalta-lhe a dúvida de saber como é que o amor é compatível com esse esquecimento fatal. E uma sombra de morte alaga a sua alma.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Lags

Pergunto a mim próprio o que justifica o espaço de tempo que decorre entre os meus posts.
Alguns são diários, outros várias vezes ao dia.
Outros têm lapsos de tempo alongados entre eles.
Não terá ocorrido nada, quando os posts escasseiam?
(Parece-me totalmente evidente que não)

Penso, entre outras coisas, que os meus posts são exercícios de solidão e de comunicação
e sempre que não há solidão e a comunicação por outras vias ocorre
os posts rareiam

Isto é um péssimo sinal
Preciso de uma bengala na alma
Será que necessitarei dela para sempre?

Sinto-me como alguém que sem muletas
não consegue olhar-se e ver-se
não é capaz de se apaziguar no interior de si
inquieto pelo apoio em falta.

Pedro, se estivesses comigo no Mosela, desta vez eu mergulhava.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sonho mau

Luta
entre um homem com picareta
e outro com um espeto

O primeiro picava o segundo no pulso
devagar
abrindo progressivamente um buraco profundo
por onde o sangue ia saindo

A luta estava perdida
até que o segundo homem cravou no peito
o espeto
e a luta terminou

Acordei em sobressalto e agarrei-me às luzes e à sombra
ao barco que parte do cais
às frases mil vezes ouvidas

Abraçei o nada ao meu lado e não senti calor
Apenas um sonho mau
real como a tua ausência

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Se o papá fosse vivo

...faria hoje 88 anos.
Este é o papá que enganava o menino com a colher de sopa. É mais novo do que o papá que colocava os problemas sobre o tempo que demorava uma torneira a encher um depósito de x litros. Ou que lia a história da raposa e me falava do escritor que era tão bom que até inventava palavras que não existiam. Ou que dizia que o Danúbio Azul era melhor do que as músicas dos Beatles porque seria eterna. Ou que me atormentava a cantar: se um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais, se dois elefantes...
Este 'pai de Mozart' que levou o Feijão a tocar de forma sempre perfeita e nunca perfeita, o cravo da vida. Como eu não gostaria de ter sido também o pai de Mozart! E, no entanto, como lhe dei a minha alma e como ele ainda vive dentro de mim, eu, esmorecido e dolente, zangado com uma vida que deixei passar ao lado. Copos e humor: essa mistura fatal para quem pendurou alguma vez a vontade no cabide da vida.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Três Primo(a)s

Irmãos
Todos nos setenta
um solteiro, uma casada, uma viúva
parecem ter menos, vivem forte
Passaram a tarde, beberam chá, comeram pão de ló
apaparicaram a tia
respeitaram o primo triste
Contaram imensas e belas histórias de vida
sofreram e gozaram com ela
(eu sei)
Mas no final, já sozinhos com o primo triste, desejaram:
felicidades...
Como é bom saber que não existe só a aleivosia.

Afinal



Afinal onde não havia saudades
há saudades
Afinal onde não havia ternura
há ternura
Afinal onde havia para sempres
há quem sabe

Vejo a linha do horizonte da costa por mim traçada
vejo a alma doce por mim revelada
na espuma da água, num dia feliz

Sei que somos os anjos da guarda um do outro
vigilantes, atentos ou desatentos, a partir do céu ou do inferno
usando radares do século XXI

Encriptamos as palavras com os códigos que só cada um conhece
afastados pelo espaço da dor
a tentar reparar motores sem diagnóstico
com a vontade de que o difícil não se torne impossível

Afinal onde havia sem retorno
há retoma
Afinal onde só havia desejo
há o inexplicável
Afinal onde o pensamento estava ausente
está o primeiro e o último pensamento do dia
Afinal